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17/05/2010 - 15h03 - Atualizado em 17/05/2010 - 15h03
   
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Família de primeiro jovem a desaparecer em Luziânia encontra mais ossos
Marcio Fontenele - ()

Em meio à lama, na Fazenda Buracão, em Luziânia, familiares tentaram encontrar respostas para o desaparecimento do jovem Diego Rodrigues, 13 anos, uma das vítimas do pedreiro Ademar de Jesus Santos, 40 anos. Durante as buscas na área, que não está isolada pela Polícia Civil de Goiás, a mãe e a irmã do menino encontraram ontem ossos que aparentemente seriam de um braço e mão humanos, além de fios de cabelo. Os restos estavam no local onde a polícia retirou, no último dia 11, as ossadas da suposta sétima vítima do maníaco. Aldenira Alves de Souza, 51, e a filha Gláucia Gomes de Souza, 26, procuravam pela corrente que Diego usava quando desapareceu. Três amigos da família ajudaram no trabalho. O grupo também encontrou um enxadão e uma foice camuflados no matagal.

Embora a polícia tenha localizado mais um corpo no início da última semana, o vale permanece desguarnecido, à mercê de curiosos. Quem quiser pode entrar e revolver a terra. Aldenira, a filha e os amigos chegaram à fazenda às 8h. A mãe ouviu de um agente da Polícia Civil, no dia em que policiais retiraram a última ossada, que o corpo estaria próximo a uma das covas apontadas por Ademar, em uma trilha que passava por um cupinzeiro. As referências foram suficientes para que as cinco pessoas encontrassem o local exato. Duas enxadas foram utilizadas para trazer à tona os ossos.

Por volta das 15h50, peritos da Polícia Civil e do Instituto Médico Legal (IML) de Luziânia recolheram os ossos e os objetos descobertos pela família. De acordo com um dos agentes, os ossos serão agora comparados com o corpo para saber se pertenciam à mesma pessoa. Caso a resposta seja negativa, será necessária uma nova busca no local. Os agentes também explicaram aos familiares que as ferramentas tinham grandes chances de terem sido esquecidas pelas equipes de resgate. Mesmo assim o material foi fotografado e recolhido para perícia no IML. A polícia suspeita que a sétima vítima seja o garoto Diego, o primeiro a desaparecer. O exame de DNA que deve confirmar a identidade está previsto para o próximo dia 26.

Para Aldenira, faltam muitas respostas. A mãe se revolta de ter sido a única a não enterrar o filho, desaparecido em 30 de dezembro. Ela disse que entrará no local quantas vezes for necessário para entender o que aconteceu com Diego. “Vou procurar mais coisas dele. Quem sabe eu não acho? É muita angústia. Isso já deveria ter acabado”, desabafou. Gláucia sente esperança de os ossos não pertencerem ao rapaz. “Jamais pensei que ia passar por algo assim, em um lugar desses, mexendo em restos mortais, para ver se achava alguma coisa do meu irmão”, disse.

Outras ossadas
Essa é a segunda vez que parentes das vítimas vão à Fazenda Buracão e encontram ossos dos meninos desaparecidos. Em 15 de abril, um cunhado de Paulo Victor de Azevedo Lima, 16, encontrou um osso de 10cm que também parecia ser de uma mão humana. O titular da 1ª Delegacia Regional de Goiânia, Juracy José Pereira, também responsável pelo inquérito dos desaparecidos, disse que muitas vezes os restos podem ser separados por animais ou levados pelo riacho. Para ele, pode, inclusive, haver mais ossos das vítimas perdidos pelo vale.

De acordo com o delegado, como o terreno é difícil por ser bastante acidentado, nas buscas os agentes também encontraram ossos distantes dos corpos das vítimas. “Estamos procurando provas de que Diego foi assassinado ali. A polícia não busca todos os ossos do corpo, mas as evidências que comprovem um acontecimento. No último resgate, encontramos partes o suficiente de ossos para dizer que uma pessoa morreu. Sei que a família fica transtornada. Mas esses restos só terão relevância se ficar provado que são de um oitavo corpo”, explicou.

Juracy Pereira disse ainda que somente o exame de DNA poderá dizer se o sétimo corpo é de Diego. Para o delegado, não há necessidade de interditar o vale. “Não vejo preocupação nesse sentido. O local já foi violado. Nós não buscamos mais provas para vincular a pessoa do Ademar aos corpos existentes. Então, não vejo preocupação”, afirmou. Para o titular da 5ª Delegacia Regional de Luziânia, José Luiz Martins de Araújo, é cedo para afirmar qualquer coisa. “Não sei nem se o osso é humano. Ele será reconhecido no IML. Além disso, muita gente joga animais ali”, justificou


Fonte: Correio Web / Luiz Calcagno





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